domingo, 1 de agosto de 2010

Flashback in color

Quando chegou de mansinho nada disse. Estava ela prestes a desaguar e abandonar a suja estação de desembarque, dos que carregam a cruz dos descrentes da paixão. Os em voga errantes por amores perdidos. E era invariavalmente a já gasta e perdida causa, que no último e fogaz frame os obrigava a contemplar. Os olhos beijavam-se em surdinia no sombrio silêncio, enquanto voluteiam mesmo cerrados e cegos de conhecimento. Foi como que se à primeira vista, todos os amores falhados cegassem, face à impetuosidade do que nascera no centro do nada.

Quando lhe colocou o olhar tímido de criança em cima, visualizou nela, a harmonia constante, que se desprendida despreocupada, de tão corpo desenhado e moldado numa manhã suave e radiante. Possuía as formas delicidas de uma qualquer diva hollywoodesca. A ingénua simplecidade complexa, desarmou-lhe o olhar desconfiado, e cedo lhe cativou. Era feita de um como sem porquê. De uma mistura de inocência, com sabedoria ancestral. Conseguia numa fracção ser professora rígida e imponente. E no segundo seguinte, ser aluna atenta e concentrada da carteira da frente.

Ele, a medo, deixo-a afigurar-se, chegar-se mais perto. Primeiro desconfiado, contemplando os passos cautelosos mas altivos de musa. Foi acima de tudo, o modo dela ver o mundo de forma despreocupada. Encheu-lhe a vista, preencheu-lhe a alma à medida. Ainda hoje desconhece, não o sabendo precisar. Mas o coração devolve-lhe um chorrilho de confissões sentidas a peito. Disseram dias depois, a letras garrafais na primeira página de um jornal já velho de notícias desgastadas, que, qual obra do acaso, o dito lhe tinha adorado na primeira instância. Desde o primeiro momento, brandiam. Hoje é difícil descortinar uma altura ou data exacta, detectar com firmeza e exactidão o momento em que o coração cedeu, face à impotência de sentimentos certeiros.

Como se isso - o facto, fosse algo realmente digno de registo ou mesmo de armazenamento permaturo por amadurecimento. A suposição à qual perdermos tempo a chamar de tempo, cadece de importância, quando os sentimentos são chamados à prestar serviço às ordens do corpo e da mente. Qual sabor a que ardem as rédias da paixão momentânea.






12 comentários:

S* disse...

Essa admiração por alguém é linda.

Marilena' disse...

Muito bom !

*flor* disse...

É impossível não ficar deliciada com a tamanha doçura das palavras que escreves. Dizem que o amor é cego, eu cá discordo,ele dá-nos apenas uma outra visão do mundo, aquela que deveríamos de ter sempre, cegos são os outros, os que nunca amaram.

beijinho no <3 ^^,

PurpleSu disse...

qualquer paixão.. ainda que a de um pequeno grande momento é sempre de encher o peito...

Gabriela disse...

Muito obrigado :b
Tu escreves realmente muito bem, gostei imenso :)

ac disse...

que lindo !
agradeço por me teres seguido , vou fazer o mesmo *

L.A disse...

Oh elogios tao grandes, tao desproporcionais á minha pequenes :$
Contudo agradeço, apesar de os achar um completo exagero. Já tu, bem na verdade enão consigo encontrar elogios á altura. É que por mais que tentasse encontrar palvras, nao iria de certo consguir. Simplesmente A D O R O o que escreves, adoro sentir o que transpareces em cada linha, palavra, mesmo numa simples letra solta. Já o disse uma vez, e digo de novo: é magica a maneira como escreves!

L' disse...

Também eu, daí me ter apaixonado de imediato pelo poema *.*
Mais uma crónica tua que me deixou de boca abertam, escreves mesmo bem :O!
Vais/estás em algum curso ligado ao Jornalismo ? (:
Beijinho *

O Segredo disse...

Mto bonito e admiravel

Caia disse...

Sente-se a adoração...

Joan(inha) disse...

"Era feita de um como sem porquê. De uma mistura de inocência, com sabedoria ancestral. Conseguia numa fracção ser professora rígida e imponente. E no segundo seguinte, ser aluna atenta e concentrada da carteira da frente."

Gostei muito do que li :D Vou seguir!!

JoanaLuz disse...

Lindoooo msm:D