sábado, 3 de abril de 2010

Six


E eis, que como que de repente damos pela passagem de seis, seis meses, carregados de um conjunto de mudanças repentinas, de alterações que pulverizaram as rotinas cinzentas de outrora. Trouxeram-lhe e atribuíram-lhe uma palete de cores cintilantes, movida à força de uma translação de 180º graus. O núcleo central das nossas vidas acabou por se ressentir de um abalo registando um nível absurdo na escala que nos fez estremecer.

Um ciclo completou-se, foram seis, desde que entraste porta a dentro na minha alma, crescendo de uma forma totalmente inesperada. Mas que permitiu sem sombra de dúvida um conhecimento na sua plenitude, roçando as profundezas da sinceridade. Mesmo sem o poder do sentido do tacto, do olfacto, tínhamos uma espécie de visão periférica e privilegiada da nossa alma mútua.

Compartilhámos cumplicidades tão próprias, que aos olhares alheios pareciam desconfiadas. Confiámos as chaves dos nossos lares pessoais, abrimos sorrisos mesmo sem os visualizarmos na realidade. Vivências que ficavam aos poucos impressas nos nossos corações, que já fervilhavam impacientes. Vivências que por si, se foram transformando numa só, por nós dividida e abraçada.

Agitaste, o fluxo de água monótona por onde navegava a embarcação desgovernada da minha subsistência. Tiveste a sabedoria de a puxar para a tona, quando já perdidamente me afundava. Afundava nas amarguras diárias, de uma vida habituada, meramente moldada, a não ser mais que um pedaço de papel amachucado de um sonho que ambicionava ser.

Ousei por uma vez, ser mais que além do óbvio pesaroso que carregava sobre mim. Embarquei numa viagem revestida por uma carruagem austera, que avançava, rasgando trilhos desconhecidos, ansiando por serem devidamente desbravados. Alcancei-te assim com um sorriso estampando, de quem conquista por fim, a tão ambicionada preciosidade. A minha eras, e continuarás a ser tu, sempre Tu.

Tal e qual, como naquela primeira tarde luminosa, em que nos podemos sentir realmente, e dar azo de forma global aos sentidos humanos. São seis, seis meses de alegrias conjuntas, batalhas delicadas, vencidas com o fogo que nos percorre, um desejo férreo de nos mantermos por perto. Estaremos por cá - Sempre!

3 comentários:

Pipoca dos Saltos Altos disse...

Falulosa a forma como metes as coisas cá para fora. Quando se trata de sentimentos nem sempre é fácil a escolha das palavras. Parabéns.

Ana Sofia disse...

Está tão perfeito *.*
Gostei mesmo.. Descreves demasiado bem os sentimentos que carregas em ti.
Beijinho. ;)

Elisabete disse...

Muito bom!
Dizem que a paixão aguça a criatividade, parece que é mesmo verdade!